Definição de Medicina Hospitalar 

Medicina Hospitalar é um modelo com características bem peculiares, onde um médico generalista, intitulado hospitalista, assume a coordenação dos processos assistenciais, atuando sempre que possível em sinergismo com os processos administrativos. Como resultado, vislumbra-se lógica assistencial e lógica administrativa operando de forma associada, com foco no paciente e na eficiência dos serviços. Está provado: qualidade pode reduzir custos! 

Segundo Michael Porter, "a solução para a crise, ironicamente, está em trazer de volta o foco do sistema de saúde para a saúde".  Estimativas demonstram que o modelo pode reduzir o tempo de internação dos pacientes em aproximadamente 12% e os custos do hospital, em média, em 13%.

Representa ainda uma especialidade ou área de atuação médica organizada para um local de atuação (o hospital), ao invés de abranger um sistema ou órgão (como a cardiologia), um conjunto de doenças (como a oncologia) ou a faixa etária do paciente (como a geriatria). Ao contrário de emergencistas e intensivistas, hospitalistas ajudam a coordenar o cuidado médico dos pacientes através do contínuo do tratamento hospitalar, muitas vezes auxiliando nas próprias emergências e UTI’s, e planejando o tratamento pós-agudo ou pós-alta.
 
Hospitalistas são médicos cujo foco profissional primário é o cuidado clínico de pacientes hospitalizados e a coordenação de equipes multidisciplinares, incorporando então habilidades especiais para servir a estes propósitos.
 
O hospitalista passa a ser, para o paciente internado no Serviço de Medicina Hospitalar e seus familiares, o referencial médico principal, servindo de apoio além destas fronteiras - colaborando em outros setores do hospital e com o corpo clínico tradicional. Na alta daqueles pacientes que ficaram primariamente sob sua responsabilidade, devolve a coordenação ao(s) colega(s) do ambulatório, primando pela adequada transição do cuidado.
 
Reconhecendo-se que a medicina moderna está cada vez mais complexa e que nela não mais cabe a dicotômica discussão "generalista versus sub-especialistas", pois o futuro é a colaboração e o trabalho em equipe, sub-especialistas mais do que nunca são e continuarão sendo os mais nobres visitantes dos hospitais, dentro e fora dos Serviços de Medicina Hospitalar. Devem transitar por todo sistema, devendo o pêndulo entre este novo modelo e o modelo tradicional se equilibrar em benefício de todos. Podem ganhar os gestores e o corpo clínico tradicional, sem contar os pacientes, familiares e outros profissionais, particularmente os enfermeiros.
 
Por trabalharem, via de regra, dedicados a uma única instituição, hospitalistas passam a realmente conhecer seus processos e poder aprimorá-los. Aliás, passam a conhecer seus problemas ou saber onde as operações trancam. Como forma de viabilizar esta parceria entre o médico e o hospital, a idéia crucial é que médicos envolvidos e eficientes vejam a excelência recompensada, enquanto ajudam a melhorar os resultados deste sistema reconhecidamente tão competitivo.
 

     Você sabia?  

  • A Medicina Hospitalar é uma especialidade relativamente nova, mas já é a que com mais rapidez se desenvolveu na história da Medicina moderna. Hospitalistas são, na sua maioria, médicos jovens com, em média, 37 anos de idade (2007-2008 SHM Survey).  
  • Os programas de Medicina Hospitalar costumam dar certo quando a adesão nos hospitais é voluntária e então crescem espontaneamente, substituindo o modelo tradicional para os casos e situações onde a maioria dos players costuma sair ganhando e servindo de apoio para o modelo tradicional em outras tantas situações - jamais servindo somente de apoio ao modelo tradicional, com risco de aumentar custos e não gerar satisfação que permita recrutar e manter médicos para trabalharem nesta função com a dedicação e o envolvimento necessários para gerar os resultados pretendidos.
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